Artigo Nutricionista

"Healthy kids are sweet enough"

Quando falamos em crianças - em especial em crianças pequenas - o consumo de “produtos rotulados” deve ser sempre o menor possível. No entanto, numa altura em que são lançados e promovidos diariamente novos produtos alimentares, num mercado cada vez mais imerso em informação, é importante manter a capacidade de fazer escolhas conscientes.

Já todos olhamos para os rótulos com um sentido mais crítico e informado, em especial quando compramos determinado produto pela primeira vez. É, no entanto, importante não ter como garantido que o rótulo de determinado produto é estanque e de forma rotineira, reforçar a sua análise.

Toda a informação nutricional deve ser expressa por 100 g ou por 100 ml do produto, podendo ainda ser mencionada por dose ou por porção. Opte por fazer a comparação direta dos produtos pela informação referente a 100g, mas tenha sempre em atenção a quantidade da porção, dada que será esta a quantidade consumida.

Da lista de valores apresentados, a valor energético é o de especial destaque e exprime-se em quilocalorias ou quilojoules (1 Kcal ± 4KJ). Este representa a soma da energia fornecida e vulgarmente fala-se em calorias. Sendo cada vez mais uma informação de maior destaque, não deve ser este o critério decisivo da sua escolha. Um produto que por comparação tem um maior valor energético, não é necessariamente um produto “pior”. É necessária uma análise global.

De forma a facilitar esta análise, a DGS disponibiliza um “descodificador de rótulos” e são cada vez mais amplamente conhecidos valores “de referência”, sendo exemplo disso os semáforos nutricionais. No entanto, quando falamos em crianças, é crucial ler de forma cuidadosa a lista de ingredientes e incluir na análise o princípio de que os valores a ter em consideração como aceitáveis, são necessariamente menores aos de referência para um adulto.


Dando especial destaque à análise dos açúcares, o ponto chave passa pela premissa de que as crianças com menos de dois anos de idade não devem consumir quaisquer açúcares adicionados. Quando em crianças e adolescentes, estes devem limitar a sua ingestão de forma ideal a um valor inferior a 5% da energia total do seu dia alimentar.

Para esta análise é muito importante ter em atenção a ordem da lista de ingredientes. Todos os ingredientes que fazem parte do produto alimentar são indicados por ordem decrescente, isto é, da maior para a menor quantidade. Assim, o ingrediente que aparece em primeiro lugar, é aquele que existe em maior quantidade no alimento.

Cada vez com maior destaque, os polióis - presentes na forma natural em alguns alimentos, podem também ser produzidos industrialmente e utilizados pela indústria alimentar para obter produtos com baixo valor energético, como é exemplo o sorbitol, manitol, xilitol.

Salvo disposição contrária específica, a exposição a aditivos aprovados para uso na alimentação de adultos, é desaconselhada a crianças.

De forma consciente, a leitura de um rótulo implica ter em equação a condição de saúde, idade e adequação ao dia alimentar. Utilize-o como um aliado para escolhas alimentares saudáveis.

Elisabete Luís – Nutricionista
Licenciada pela Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

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