Saida de Maternidade

Saída da Maternidade

Agora somos só nós!...este foi o pensamento que me aterrorizou no dia que saímos do hospital, depois da baby I nascer. Lembro como se fosse hoje de estar dentro do carro, no banco de trás, a caminho de casa, a olhar para uma babycoque com um bebé lá dentro e sentir uma enorme vontade de chorar. Lembro de entrar na porta de casa e sentir que estava num sítio estranho e não sabia o que fazer, nem para onde me virar. Era um misto de medo, ansiedade e até pânico. Foi preciso engolir em seco umas quantas vezes, para conseguir conter as lágrimas que teimavam em querer aparecer.

Os dois primeiros dias de vida foram cheios de emoções, mas a segurança de estar no hospital e de ter profissionais de saúde à distância de um toque de campainha, era tranquilizador e reconfortante. Para cada dúvida, dor ou insegurança estava lá um enfermeiro para nos ajudar ou apenas para dizer “é tudo normal mamã”. E bastavam estas palavras para tudo parecer melhor.

A chegada a casa com um bebé, ainda por cima para nós, pais de primeira viagem, foi um momento aterrador. No hospital, todo o ambiente está criado à partida e controlado, as rotinas, o local onde deitar o bebé, onde dar banho...quando chegamos a casa olhei em meu redor e não sabia o que fazer. Tirava da babycoque ou deixava lá a dormir? Colocava no quarto ou na sala? Dava de mamar no sofá ou na cama? Comia ou deixava a baby I no colo? E o que fazia com ela? Tudo era uma incerteza e tudo parecia tão importante e tão decisivo.

Durante os primeiros dias, tive muitas vezes vontade de chorar...e chorei muito! Por insegurança, por medo, por alívio, por frustração. Toda a nossa vida mudou e eu deixei de ser só Eu para me tornar a Mãe da I. Mesmo tendo o pai da I em casa comigo, sentia-me muito só e desamparada. Por muitas vezes eu não tomei banho, não almocei, não lavei os dentes, não fui à casa de banho. O medo de falhar era tanto que me paralisava e só me deixava pensar naquele pequeno ser que dependia total e exclusivamente de mim.

Chorar, recear, desesperar, duvidar, ansiar…tudo isto faz parte de algo muito maior que é Amar! Não há bonança sem tempestade, nem bela sem senão. A calmaria chegou depois de algumas semanas, quando as rotinas se estabeleceram e nós nos tornamos capazes de lidar com as pequenas crises do dia a dia. Todas nós somos as melhores mães do mundo para os nossos bebés e hoje, sermos “só nós”, já não parece um problema, mas sim o maior privilégio do mundo!

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