Peo document208 fig2

Sistemas de Retenção Infantil: A contra-marcha salva vidas!

Nos últimos tempos temo-nos deparado com um aumento significativo do tráfego automóvel. Quem não é do tempo em que só algumas pessoas da família conseguiam ter um carro e nem cintos de segurança existiam? Hoje em dia a segurança rodoviária está na ordem do dia e a segurança rodoviária infantil é ainda mais importante.

Artigo 55º do código da estrada:

“1 - As crianças com menos de 12 anos de idade transportadas em automóveis equipados com cintos de segurança, desde que tenham altura inferior a 135 cm, devem ser seguras por sistema de retenção homologado e adaptado ao seu tamanho e peso.

2 - O transporte das crianças referidas no número anterior deve ser efectuado no banco da retaguarda, salvo nas seguintes situações:

a) Se a criança tiver idade inferior a 3 anos e o transporte se fizer utilizando sistema de retenção virado para a retaguarda, não podendo, neste caso, estar ativada a almofada de ar frontal no lugar do passageiro;

b) Se a criança tiver idade igual ou superior a 3 anos e o automóvel não dispuser de cintos de segurança no banco da retaguarda, ou não dispuser deste banco.

3 - Nos automóveis que não estejam equipados com cintos de segurança é proibido o transporte de crianças de idade inferior a 3 anos.

4 - As crianças com deficiência que apresentem condições graves de origem neuro-motora, metabólica, degenerativa, congénita ou outra podem ser transportadas sem observância do disposto na parte final do n.º 1, desde que os assentos, cadeiras ou outros sistemas de retenção tenham em conta as suas necessidades específicas e sejam prescritos por médico da especialidade.

5 - Nos automóveis destinados ao transporte público de passageiros podem ser transportadas crianças sem observância do disposto nos números anteriores, desde que não o sejam nos bancos da frente.

6 - Quem infringir o disposto nos números anteriores é sancionado com coima de € 120 a € 600 por cada criança transportada indevidamente.”


No entanto, a lei não comporta a anatomia própria da criança. A criança anatomicamente não é um adulto em ponto pequeno; apresenta em proporção a cabeça muito maior e pesada comparativamente ao tronco e membros. Para além de que a coluna cervical é ainda bastante frágil, existindo muitas vezes lesões graves pelo efeito chicote.

O “rear facing” (contra marcha) surgiu na década de 60 na Suécia e têm sido os Escandinavos os pioneiros na cultura da contra marcha prolongada (até pelo menos aos 18kgs e preferencialmente até aos 25kgs), e esta é sem dúvida a forma mais segura de transportar crianças. Quando uma criança viaja em RF (rear facing), a cadeira absorve o seu impacto, protegendo a cabeça (órgão vital e pesado), pescoço e coluna vertebral (evitando assim uma decapitação interna causada pela cinética envolvida), existindo deste modo, uma redução de 96% de lesão para a criança. Mesmo viajando a 50km/h, a cabeça da criança exerce uma carga sobre o pescoço de 300kgs quando transportada em FF (forward facing – a favor da marcha).

A maioria dos acidentes rodoviários são impactos frontais, o que, quando em FF, a criança seja projectada para a frente durante a colisão, deixando de estar em contacto com a cadeira e juntando a cabeça e coluna cervical à zona dos membros inferiores, provocando lesões muitas vezes irreversíveis quer craneanos quer ao nível da coluna vertebral. Quando transportada em contra marcha – RF, o impacto leva a criança a mover-se de encontro à cadeira, distribuindo a força por todo o corpo e absorvendo o impacto; estando muito mais protegida a cabeça, coluna cervical e dorso lombar.

Existem vários mitos acerca do transporte infantil em contra marcha e fazê-lo de forma prolongada. Muitas pessoas questionam acerca de colisões traseiras, muito habituais em cidade. Pese embora estas colisões sejam habituais, em contra marcha a questão não se prende visto que os corpos são empurrados pela inércia do movimento e, por conseguinte a criança será empurrada para a cadeira tal como na colisão frontal. Pela física, apenas haveria perigo caso os dois corpos (veículos), circulassem e embatessem ambos em marcha ré, o que é altamente improvável.

Muito mais haveria para dizer pois esta área é vasta e de vasta importância. Desta forma recomendo todos os pais a pesquisarem mais sobre Extended Rear Facing (rf prolongado), o grupo Movimento Viagem Segura e o grupo e blog dedicado à segurança rodoviária infantil – De pequenino a Graúdo. Todos nos ajudaram na escolha mais acertada sobre como transportar os nossos bebés e sei que também vos poderão ajudar.

Assim me despeço com votos de viagens seguras.

Comente este artigo