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Uma Dúzia Mais Dois visto por um Pai

Todos ao molho e fé em...

O período que antecede a paternidade/maternidade dá-nos a visão de que somos auto suficientes, que não precisamos de ninguém, que os filhos são para estar com os pais, que a criança nunca sofrerá com a nossa ausência... O tempo passou, a criança nasceu, a casa encheu, correria de visitas, miminhos e beijinhos. Os pais novatos com o bebé no colo, em vigília, com sono e sem ele, rotinas a aproximar, nova noite a chegar, foi tão bom o tempo, em exclusivo que estivemos juntos, como foi possível ter passado um mês... o pai vai ter de ir trabalhar, a mãe vai ficar sozinha contigo, todo o dia, para a semana toda a noite. O bebé tem de se adaptar aos meus horários rotativos.

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No primeiro dia de trabalho, mensagens intercaladas com telefonemas, de hora a hora, "O bebé dormiu? O bebé mamou bem? Estás muito cansada? Sentes-te sozinha?" Parto desta última frase para reflectir acerca daquilo que este grupo representa. Muitas vezes, face à ausência ao longo do dia, deparo-me com a minha esposa, agora promovida a mãe do meu filho, a ser gestora de uma casa, de uma família, a tempo inteiro, sem tempo para ela, gerir tudo enquanto ele faz as curtas sestas e no resto do tempo, a ter a exclusividade dos cuidados ao nosso bem precioso.

Nos primeiros tempos ia ouvindo falar das experiências que cada elemento do grupo ia vivendo, ouvia falar das mães, dos filhos, tentava fazer o jogo de correspondência em que no meu enunciado mental era desafiado a corresponder o nome da mãe ao nome do bebé para enquadrar as histórias que iam experimentando. Percebi que este vai e vem de mensagens ajudava a libertar da monotonia e que eram uma companhia e após os primeiros encontros entendi que era uma companhia mútua. Dava por mim a pensar em umas "Donas de casa e mães desesperadas" em formato grupo de ajuda, mas rapidamente sanearam esse conceito, vi muita cumplicidade e entreajuda.

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O envolvimento na comunidade, na "família" não se fez tardar, damos muito valor aos momentos juntos, aos piqueniques, aos passeios no centro da cidade, essencialmente a vê-los crescer e a criar cumplicidade, a crescer esta amizade entre os nossos pequeninos, amizade que nasce na Era pré Natal e que se perpetua. Este grupo de mães, terapeutas uma das outras, que ultrapassaram o Inverno longo, de frio e de chuva, sempre com ar de quem vivia a Primavera fresca e florida. Somos felizes todos ao molho e temos fé na amizade que nos une.

Daddy...

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M
Maria Filomena

Por vezes esquecemos que o Pai também faz parte deste processo, mas eles também têm as suas angustias, aflições, dúvidas... Foi interessante ler a perspectiva de um jovem pai

F
Frederico

Uma perspectiva diferente mas também importante :)

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